Mostrando postagens com marcador trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trabalho. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 7 de março de 2018

Justiça do Trabalho, no Brasil e no Mundo

É comum, infelizmente, entre nós, os brasileiros, utilizarmos expressões que denigrem o nosso país, o nosso povo e a nossa cultura. Nos achamos piores, inferiores, muitas vezes sem conhecimento de causa, ou seja, sequer conhecemos a realidade de outros países, mas com base em opiniões, reportagens ou uma simples viagem de turismo, tiramos conclusões precipitadas e equivocadas.

Aliás, essa forma de pensar recebeu uma denominação específica, o "complexo de vira-lata". Embora a expressão tenha surgido a partir de uma crônica esportiva de Nelson Rodrigues, ela ganhou vida própria e abrangência.

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. (Nelson Rodrigues, 1950)

Outra expressão, vinculada a esse viralatismo, é aquela que relaciona a jabuticaba a algo que só existe no Brasil. Com variantes em sua aplicação, a mais comum é a que afirma:

Se só existe no Brasil, e não é jabuticaba, pode saber que é besteira.

Esse preâmbulo é para falar da nossa Justiça do Trabalho, que entrou na berlinda com o avanço da "reforma" trabalhista. Entre aspas, pois na verdade, não se reformou no sentido de uma discussão e amadurecimento de conceitos. Aproveitou-se, este governo, de um determinado momento político, para realizar alterações significativas na Consolidação das Leis do Trabalho, com o objetivo declarado de suprimir direitos, sob o pretexto de se criar empregos, ainda que fossem subempregos; fato aliás, que até esta data não se materializou.

Com isso, cumpriu um de seus compromissos com os grupos políticos que o sustentam, já que, por si só, não consegue a legitimidade que, em estados democráticos de direito, só as urnas concedem a um programa ou projeto de país.

Mas será que a Justiça do Trabalho é essa tal jabuticaba? Ou essa comparação é esdrúxula e decorre do tal complexo de vira-latas?



Como o nosso blog é dedicado, principalmente, à segurança e saúde no trabalho, todos os temas que se relacionem com a legislação trabalhista nos chamam a atenção e requerem uma divulgação. Aliás, sobre esse assunto já tratamos há poucos meses, quando apresentamos uma resenha sobre a lei das terceirizações (veja aqui).

Foi pensando nisso tudo que me deparei com o artigo do Procurador do Trabalho, Rodrigo Lacerda Carelli, professor da UFRJ e Doutor em Sociologia. Com o título "O mito da jabuticaba: A Justiça do Trabalho no mundo", o autor discorre de forma clara sobre o papel do Direito do Trabalho na sociedade. O artigo foi publicado originalmente em dezembro de 2017.

Ele começa o artigo, desmistificando a ideia de ser essa instância jurídica uma invenção brasileira.


"Um mito ideológico, fruto de ignorância ou má-fé, que se repete nesses tempos de pós-verdade é que a Justiça do Trabalho é uma jabuticaba, no sentido de que seria instituição criada no Brasil e que só existe aqui. Aliás, essa é uma das formas típicas do brasileiro desmerecer a si mesmo: “só no Brasil”, costuma-se dizer, com pompa nórdica ou ares de lorde britânico, como se nada tivesse a ver com o que aqui ocorre. Entretanto, os fatos não colaboram com o embuste: a Justiça do Trabalho existe em diversos países do mundo, tanto em países da common law, quanto da tradição da civil law, a qual herdamos do continente europeu."

Em seguida, Carelli faz passagens rápidas pelo funcionamento da justiça trabalhista na Inglaterra, França, Alemanha, Nova Zelândia, Bélgica, Israel, Suécia, Finlândia, Chile e México. Seu artigo, ainda que sucinto, joga no lixo a referência jocosa de jabuticaba. E ele ainda graceja com isso, ao registrar que, na verdade, a jabuticaba existe e é cultivada em vários países. Ou seja, "nem mesmo a jabuticaba é tão "jabuticaba" assim".

Portanto, cada um de nós que atua na área de prevenção de acidentes, preservação da vida e promoção da saúde, deve estar atento e preocupado com alterações da legislação trabalhista que possam comprometer ainda mais as condições de trabalho e que ataquem o conceito universal de trabalho decente, que o Brasil, sendo membro da OIT, tem o compromisso de defender.

Referências:

Artigos selecionados - Ministério Público do Trabalho

Portal JOTA de informação jurídica

Complexo de Vira-Lata

Terceirização irrestrita: aprovação de projeto de lei  gera preocupação e protestos

domingo, 22 de outubro de 2017

O Papa Francisco e os Trabalhadores

Neste mês de outubro, a mensagem em vídeo do Papa Francisco foi sobre o trabalho e os trabalhadores. Ele diz: "Devemos recordar sempre a dignidade e os direitos dos trabalhadores, denunciar as situações nas quais se violam esses direitos, e ajudar a que contribua para um autêntico progresso do homem e da sociedade. Peçamos, irmãos, pelo mundo do trabalho, para que a todos se possa assegurar o respeito e a proteção de seus direitos e que aos desempregados se dê a oportunidade de contribuírem com o trabalho para a construção do bem comum."

Aqui, neste Endereço da Prevenção, nada mais a acrescentar nesta fala, apenas, obrigado Papa Francisco!


domingo, 17 de setembro de 2017

Ergonomia da Atividade


A cada dia cresce a importância da internet na disseminação de informações e na construção do conhecimento. E na área de segurança e saúde no trabalho não poderia ser diferente. Por isso resolvi destacar um trabalho novo, iniciado este ano, que é o blog Ergonomia da Atividade.

O blog é feito por pesquisadores que desenvolvem trabalhos relacionados à ergonomia da atividade. São publicados artigos, capítulos de livros, vídeos de reflexão. Tanto materiais clássicos e já bastante referenciados, assim como aqueles recém-publicados.

De acordo com os pesquisadores responsáveis pelo blog, o objetivo é, por meio de material compartilhado, difundir conceitos e práticas da ergonomia da atividade, buscando diminuir ou eliminar a visão reducionista da ergonomia como sendo o estudo de posturas ou mobiliário no ambiente de trabalho. Ao contrário disso, a intenção deste blog é provocar a discussão em torno das questões organizacionais, psicossociais e subjetivas que esta disciplina envolve.

Tela do blog Ergonomia da Atividade


Dentro do conceito de integração das mídias digitais, o blog está conectado a um canal do YouTube e a uma página no facebook. É uma forma de ampliar a divulgação por meio de diferentes formas de acesso, mas de maneira interligada.

Se você já estuda esse assunto ou se é uma novidade completa, você encontrará referências importantes e artigos que servirão para lhe iniciar no assunto ou ampliar a discussão.

Para acessar o blog:

A página do facebook:

O canal do YouTube:

Assista ao vídeo e conheça um pouco mais desse trabalho:




segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Um fórum dedicado aos acidentes de trabalho

No meio de tanta informação misturada e desorganizada nesta grande teia digital, é muito importante conhecermos fontes confiáveis para nossas pesquisas. Entre essas fontes, apresento aqui uma delas que é excelente e merece ser conhecida pelos profissionais que atuam na área de segurança do trabalho. Trata-se do Fórum Acidentes do Trabalho.
O Fórum é um espaço de temas relacionados à análise e prevenção de acidentes do trabalho. Sua finalidade é apoiar atividades de grupo de pesquisa e de serviços da área de saúde do Trabalhador, com ênfase na segurança no trabalho, com discussões presenciais e virtuais e disponibilização de materiais de apoio, como casos e textos.
O projeto foi criado por iniciativa conjunta de docentes das áreas de Saúde do Trabalhador do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP e, à época, da Engenharia de Produção da UNIMEP Piracicaba, no primeiro semestre de 2008. Atualmente continua como projeto interinstitucional, sob a responsabilidade conjunta do Prof Associado Dr Rodolfo Andrade Gouveia Vilela, da Faculdade de Saúde Pública da USP e do Prof Dr Ildeberto Muniz de Almeida, da FMB-UNESP.
Passados quatro anos o Fórum de Acidentes do Trabalho parece consolidar-se como espaço de reflexão e de estímulo à formação de movimento social pela prevenção, de denúncia das práticas de atribuição de culpa às vítimas de acidentes e de apoio à constituição das práticas de vigilância em Saúde do Trabalhador em nosso estado e no país. Para isso, mantém agenda continuada de Encontros Presenciais, Canal Youtube, cursos de análise e prevenção de acidentes, Fóruns virtuais e interlocução permanente com atores sociais com interesses nesse campo.
Não deixe conhecer, aprender, participar e utilizar! O fórum está acessível no seguinte endereço digital: http://www.forumat.net.br/

Sobre o tema da análise de acidentes, leia também neste blog o artigo: Acidentes de Trabalho e suas causas.

Se vocẽ gostou deste blog, compartilhe a informação em suas redes sociais, utilizando os botões abaixo (facebook, google+, twitter).

domingo, 27 de novembro de 2016

Um dia dedicado aos profissionais da segurança do trabalho

O dia 27 de novembro é oficialmente reconhecido como o dia dos engenheiros de segurança e dos técnicos de segurança do trabalho. E a data foi escolhida em função da edição da lei 7.410, ocorrida em 27 de novembro de 1985, regulamentando essas duas profissões.


Para conhecer a lei 7410/85, clique aqui.

domingo, 23 de outubro de 2016

Fundacentro completa 50 anos

A Fundacentro completou, no dia 21 de outubro, 50 anos de existência.

Suas pesquisas e inúmeras contribuições para a redução e prevenção de doenças e acidentes nos diversos segmentos do trabalho, colocam a Fundacentro como instituição pioneira na área.

Reconhecida por organizações internacionais, a Fundacentro é Centro Colaborador da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Organização Mundial de Saúde (OMS) e parceira da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Para quem é atuante na área, a Fundacentro é uma referência obrigatória para pesquisas e consultas. Vinculada ao Ministério do Trabalho, é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento, integrada por professores e pesquisadores, comprometidos com a difusão do conhecimento, a promoção da saúde e a prevenção de acidentes.

Em sua estrutura de funcionamento, há um Centro Técnico Nacional na cidade de São Paulo e Centros Regionais em várias cidades do país.

Entre as comemorações de aniversário está o lançamento do Livro Comemorativo dos 50 anos que, em um primeiro momento, estará disponível na versão digital.

Registro aqui a minha homenagem a esta instituição que formou e ajudou a formar inúmeros profissionais, através de seus livros, cartilhas, vídeos, cursos, seminários, palestras, bem como permitindo acesso público a um rico acervo de livros e revistas em suas bibliotecas. Ao longo dos últimos vinte anos, eu também tive a oportunidade de aprender com alguns desses recursos listados, além de ter a oportunidade de ter contato profissional e receber ensinamentos de profissionais de altíssimo nível técnico que lá estão ou que por lá passaram, entre eles Antônio Vladimir Vieira, José Possebon, Robson Spinelli, Moira Andrade, Valéria Pinto, Maria Amélia Reis e Flavio Maldonado Bentes.

Parabéns para a Fundacentro e aos seus integrantes!


Para saber mais sobre a Fundacentro, visite o portal da instituição, no seguinte endereço: www.fundacentro.gov.br

Se você gostou, compartilhe o nosso blog, usando um dos botões abaixo (Facebook, Twitter, Google+ etc), e ajude a divulgar este trabalho.

domingo, 22 de maio de 2016

Perigo e Risco

Alguns conceitos, embora possam ser considerados básicos, ainda geram dúvidas e interpretações diferentes entre os profissionais. Entre esses casos estão os conceitos de perigo e risco e, por conseguinte, da análise de riscos. Esses conceitos podem parecer confusos ou contraditórios pelo fato de essas palavras serem utilizadas, regularmente, na linguagem coloquial, ou seja, fora de um contexto técnico ou acadêmico. Porém, dentro de um sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho eles precisam de um entendimento padronizado. Essa foi a motivação de um artigo que procura esclarecer esses conceitos e suas relações. Se você tem interesse neste assunto, leia o artigo no seguinte endereço:

quinta-feira, 28 de abril de 2016

28 de abril, uma homenagem às vítimas dos acidentes e doenças do trabalho

O dia 28 de abril é a data dedicada à memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho em todo o mundo. É dia de luta por mais segurança e saúde, por fiscalização, preservação e garantia do cumprimento dos direitos dos trabalhadores.

Esta data foi criada pelo movimento sindical dos trabalhadores do Canadá, em 1984, para prestar uma homenagem aos que morreram, ficaram feridos ou incapacitados no trabalho. Vários países passaram a adotar esta data e em 2003 a Organização Internacional do Trabalho – OIT estabeleceu que 28 de abril é o Dia Internacional da Segurança e Saúde no Trabalho. No Brasil, a data foi formalmente instituída em 2011, pela Lei 11.121/2005, com a denominação de Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.

Para conhecer a história completa dessa data, clique aqui.

Direito ao trabalho, direito à dignidade no trabalho, direito à vida. Lutar pela preservação dos direitos e pelas conquistas voltadas ao trabalho decente e aos ambientes de trabalho seguros e saudáveis é uma das inspirações que esta data pode nos trazer.

A cada ano a OIT escolhe um tema para servir de referência neste dia. Em 2016, o tema é: "Estresse no ambiente de trabalho, um desafio coletivo". Em sua mensagem sobre o assunto, o Diretor Geral da OIT, Guy Ryder, escreveu:

"O estresse relacionado ao trabalho afeta os trabalhadores de todas as profissões em países desenvolvidos e em desenvolvimento da mesma maneira. Ele pode seriamente prejudicar não apenas a saúde dos trabalhadores, mas também, e com frequência, o bem estar de suas famílias.
A globalização e as mudanças tecnológicas têm transformado padrões de trabalho e de emprego de formas que às vezes contribuem para o estresse relacionado ao trabalho. Os altos níveis de desemprego, em particular na ausência de medidas adequadas de proteção social, também podem ter consequências indesejáveis para a saúde mental dos trabalhadores.
Empresas não são poupadas e enfrentam as consequências do estresse relacionado ao trabalho em seu desempenho geral com o aumento do absenteísmo, do presenteísmo e da rotatividade de pessoal, além de relações de trabalho difíceis." (veja a mensagem na íntegra clicando aqui)
No início deste mês de abril, preparando-se para esta data, a OIT publicou um relatório totalmente dedicado a apresentar as tendências do estresse relacionado ao trabalho, chamando a atenção para a magnitude deste problema no contexto atual do mundo do trabalho. O relatório está disponível no portal da OIT mas, infelizmente, em inglês, espanhol ou francês. Para ter acesso, clique aqui.

Para saber mais sobre este assunto, recomendo consultar:

 

terça-feira, 22 de março de 2016

Água e Emprego: Este é o tema do Dia Mundial da Água em 2016

Neste dia 22 de março, foi divulgado, em todo o mundo, o Relatório das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos. Este ano, o tema sugere uma relação que nem sempre é percebida, ou seja, a oferta de água e o desenvolvimento da economia mundial, traduzido pela expressão "Água e Emprego" (Water and Jobs). Para explicar essa relação, reproduzo aqui os dois parágrafos iniciais do resumo executivo do relatório da ONU:

"A água é um componente essencial das economias nacionais e locais, e é necessária para criar e manter empregos em todos os setores da economia. Metade da força de trabalho mundial está empregada em oito setores dependentes de recursos hídricos e naturais: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura com uso intensivo de recursos, reciclagem, construção e transporte.

A gestão sustentável dos recursos hídricos, a infraestrutura hídrica, e o acesso ao abastecimento seguro, confiável e regular de água, bem como serviços adequados de saneamento, melhoram os padrões de vida, expandem as economias locais e levam à criação de empregos mais dignos e à maior inclusão social. A gestão sustentável dos recursos hídricos também é uma força motriz essencial para o crescimento verde e o desenvolvimento sustentável." (UN World Water Development Report 2016)


No Brasil, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Agência Nacional de Águas (ANA) lançaram a versão em português do relatório do Conselho de Assessoramento ao Secretário-Geral da ONU para Assuntos de Água e Saneamento. A publicação contém orientações para a implementação da Agenda 2030, em especial no que se refere aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável direta ou indiretamente relacionados à água e ao saneamento. O relatório serve como um instrumento de planejamento para a gestão de recursos hídricos e saneamento no Brasil nos próximos anos.



Celebrado mundialmente desde 22 de março de 1993, o Dia Mundial da Água foi recomendado pela ONU durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). Desde então as celebrações ao redor do mundo acontecem a partir de um tema anual, definido pela própria Organização, com o intuito de abordar os problemas relacionados aos recursos hídricos. Em 2003, o Brasil instituiu seu Dia Nacional da Água, também celebrado anualmente em 22 de março.

Referências:

terça-feira, 8 de março de 2016

Dia Internacional das Mulheres

Neste dia 8 de março, comemora-se em todo o mundo o Dia Internacional das Mulheres. A data tem uma história forte, de muita luta. Bem longe de flores e bombons, embora esses continuem sendo presentes bonitos e agradáveis para mulheres e homens.

Ao contrário do que se pensa, não há um evento específico que tenha gerado a ideia da escolha do dia 8 de março. Ao longo dos anos, o movimento de mulheres trabalhadoras, reivindicando melhores condições de trabalho, como a redução na carga diária de 16 para 10 horas, equiparação de salários com os homens e tratamento digno no ambiente de trabalho, veio ganhando força. Em 1910, durante a II Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, com a presença de delegadas de 17 países, foram aprovadas as propostas da socialista Clara Zetkin de conclamação às mulheres a lutarem pela paz e de se celebrar um dia internacional das mulheres, que deveria ocorrer todos os anos.

As condições de trabalho, no entanto, eram péssimas. Nos EUA, por exemplo, os proprietários das indústrias continuavam forçando o cumprimento de jornadas massacrantes. Para evitar que seus empregados saíssem mais cedo, boa parte deles trancava as portas durante o expediente e cobria os relógios de parede. Foi em uma dessas indústrias, em março de 1911, que ocorreu o mais famoso evento trágico vinculado a mulheres trabalhadoras: "Um incêndio teve início na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. Localizada nos três últimos andares de um prédio, a fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos espalhados, formando um ambiente propício para que as chamas se espalhassem. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores conseguiu escapar, descendo pelas escadas ou pelo elevador. Outros 146, porém, morreram. Entre eles, 125 mulheres, que foram queimadas vivas ou se jogaram das janelas" (Maíra Mano, História Viva).

Era perto do fim do expediente da tarde de sábado, 25 de março de 1911, quando uma nuvem de fumaça se espalhou pelos três andares superiores do Asch Building, em Nova York. Ouviu-se o som de estilhaço de vidro seguido de um forte estampido. As trabalhadoras da Triangle Shirtwaist Company, que ocupava o espaço, acreditavam que fossem fardos de tecido ou pedaços da fachada que se desprendiam do prédio consumido pelo fogo. Logo perceberam o horror absoluto: aquele estranho estampido vinha dos corpos de mulheres e meninas que se jogavam das janelas tentando escapar das chamas. Bombeiros tentavam inutilmente amparar a queda com redes de proteção que se rompiam pelo peso dos corpos. A fumaça e os gritos se alastravam por quarteirões, bombeiros desorientados direcionavam as mangueiras para os últimos andares do prédio tomado pelas chamas, mas a água só tinha pressão para atingir o sétimo andar do Asch Building. Em apenas 18 minutos, o incêndio transformou o oitavo, o nono e o décimo andar em escombros. Dentro do prédio, trabalhadoras se espremiam contra duas saídas de emergência – uma delas estava trancada. (Daniela Lima, no blog da editora Boi Tempo, 2016)

O texto acima, extraído do artigo de Daniela Lima, ilustra de forma explícita, que foi com muita dor, o parto desta data de luta das mulheres.





Em consequência do incêndio, foi criada a Comissão de Investigação das Fábricas, que passou a avaliar o risco em inúmeros estabelecimentos. Os dados apurados pela Comissão levaram à promulgação de leis em Nova York que regulavam normas de segurança, salário mínimo, assistência aos operários desempregados e assistência aos velhos demais para trabalhar. Ou seja, o martírio dessas mulheres originou melhorias para todos os trabalhadores.

Embora esse incêndio seja emblemático, antes dele já havia registros de celebração de uma data especial, relacionado ao movimento das mulheres operárias norte-americanas, que comemoravam em diversos Estados o Woman’s Day,desde 1908. E o primeiro registro de uma comemoração de um Dia Internacional das Mulheres foi em fevereiro de 1909, nos EUA, por iniciativa do Partido Socialista, e em protesto pelas más condições de trabalho das trabalhadoras da indústria têxtil.

Passados alguns anos de celebrações e de esquecimentos, a Organização das Nações Unidas, em sua Assembleia Geral, aprovou, na década de 70 a escolha de uma data para celebrar este dia da luta das mulheres.

Neste ano, de 2016, a pauta principal desta data é a igualdade de gênero e a necessidade de um compromisso global nesse sentido. Que cada um de nós saiba fazer a sua parte.

Selecionei e relacionei logo abaixo, algumas referências para você consultar informações sobre esta data.

Fontes de referência sugeridas:
http://blogdaboitempo.com.br/2016/03/07/as-que-vieram-antes-de-nos-historias-do-dia-internacional-das-mulheres/
http://www.onumulheres.org.br/
http://www.unwomen.org/
http://www.internationalwomensday.com/
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_imprimir.html

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Aspectos de Segurança do Trabalho na Formação de Engenheiros

Um tema que sempre me fascina é a educação profissional. Principalmente quando se aborda a necessidade de uma atuação responsável dos profissionais dentro do mundo do trabalho. E entre esses profissionais, o que dizer dos engenheiros? Não tenho dúvida que o exercício profissional das atividades de engenharia requer compromissos com a gestão de riscos.
Por isso, para quem se interessa por este tipo de abordagem, indico a leitura da dissertação de Mestrado, intitulada "Aspectos de Segurança do Trabalho na Formação de Engenheiros". Nesta dissertação buscou-se verificar de que forma a educação dos engenheiros contempla os conhecimentos necessários para uma atuação responsável em matéria de segurança dos trabalhadores.
O objetivo da pesquisa, a partir do levantamento dos requisitos para uma atuação responsável dos engenheiros, foi identificar possíveis lacunas a serem preenchidas pelas escolas de engenharia e pelas empresas para contemplar de forma eficaz os aspectos de saúde e segurança dos trabalhadores no processo de formação profissional dos engenheiros. Para alcançar esse objetivo, fez-se uma revisão da literatura, abordando a importância do tema da segurança das pessoas e dos processos, as características da engenharia e dos engenheiros e os requisitos de sua formação. A revisão da literatura evidenciou, tanto em trabalhos acadêmicos quanto em documentos legais e normativos, que a sociedade espera dos engenheiros um perfil de atuação humanista, sustentável e responsável. E que a ciência e a tecnologia não são neutras, ou seja, as decisões e os projetos podem trazer impactos à saúde e segurança das pessoas que devem ser avaliados de forma integrada. Por isso, o ensino de engenharia deve contemplar o desenvolvimento das competências vinculadas à gestão da segurança. A conclusão do estudo defende a incorporação do conceito da transdisciplinaridade no ensino de engenharia, isto é, contemplar os aspectos da atuação responsável dentro das demais disciplinas da formação dos engenheiros.
A dissertação foi apresentada na Universidade Federal Fluminense, no programa de Mestrado em Sistemas de Gestão e está disponível no repositório digital daquela universidade.
Título: Aspectos de Segurança do Trabalho na Formação de Engenheiros.
Autor: Ricardo Pereira de Mattos
Orientadora: Professora Denise Alvarez, D.Sc.
Para ter acesso à íntegra desta dissertação, clique aqui. Ou copie o seguinte endereço:
https://app.uff.br/riuff/handle/1/859

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um livro, uma prosa um verso. O verso dos trabalhadores.


foto: Tibério França
O trabalho inspira. Repercute. Choca. Enobrece?

Provocando a reflexão, foi editado pelo Ministério Público do Trabalho, um livro denominado "O verso dos trabalhadores".

Com uma versão interativa e outra em arquivo de leitura, ele é composto por nove textos e sete ensaios fotográficos versando sobre o trabalho e os trabalhadores. Uma versão impressa será distribuída em escolas e bibliotecas.

As condições de trabalho, o trabalho doméstico, no campo, nas indústrias, a realidade dos imigrantes, enfim, tudo isso é a inspiração dos autores Clara Arreguy, Milton Hatoum, Mia Couto, Lya Luft, Marcelo Rubens Paiva, Xico Sá, Eliane Brum, Jose Rezende Jr e José Luiz Passos que produziram textos exclusivos para este projeto. Os ensaios fotográficos são de Geyson Magno, Tibério França, Walter Firmo, Marlene Bergamo e Avener Prado.


No prefácio, o escritor Milton Hatoum, um dos autores, antecipa o teor do fio condutor deste livro:



"A violência, a humilhação, o preconceito, enfim, o enorme sofrimento físico e moral de milhões de trabalhadores brasileiros ainda é a maior indignidade de um país que se pretende democrático. Aliás, são raros os países desenvolvidos e democráticos em que as pessoas mais pobres, sobretudo imigrantes, não são humilhadas diariamente, pois o sistema como um todo (político, econômico e cultural), em qualquer latitude e em graus variados, é uma máquina de sofrimento para muitos trabalhadores.

Alguns textos deste livro falam diretamente sobre o trabalho escravo em pleno século 21. Outros, com viés mais ficcional, podem ser lidos como breves relatos ficcionais, ou uma mistura de reportagem, crônica e memorialismo. Essa mescla de modalidades de discurso imprime uma dimensão intimista e, em alguns casos, poética a assuntos dramáticos e trágicos das sociedades brasileira e moçambicana.
Há algo em comum na vida de um operário de uma fábrica de cimento-amianto em São Paulo; de um funcionário de uma empresa de exploração de gás no extremo Norte de Moçambique; de um vaqueiro numa fazenda do Ceará; de uma cozinheira nordestina numa casa paulistana; de um menino engraxate; de uma preta velha."



foto: Avener Prado

O livro foi produzido com o dinheiro da multa aplicada a uma empresa de construção civil que infringiu leis trabalhistas com terceirização ilícita e condições insalubres. Essa aplicação, de certa forma uma novidade, foi oriunda de uma Ação Civil Pública da 18ª Vara do Trabalho do Distrito Federal.

foto: Walter Firmo
De acordo com os organizadores, o livro nasceu do desejo de incentivar a reflexão sobre as profissões, suas simbologias e impactos na vida contemporânea. "A partir dessa ideia, convidamos diferentes autores a fazerem literatura e fotografia especialmente para o projeto”, explica o jornalista Alessandro Soares que, juntamente com o colega de profissão Rodrigo Farhat, organizaram o livro.

Conheça o livro, acessando o seguinte endereço:
http://oversodostrabalhadores.com.br

Se gostou do nosso blog, compartilhe com seus amigos.

Se quiser acompanhar as atualizações, pode curtir e seguir a nossa página no facebook:
http://facebook.com/enderecodaprevencao/











segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Migrações e Trabalho

Nos últimos dias, cresceu em todo o mundo a atenção sobre o tema das migrações, principalmente na Europa. Infelizmente, o que provocou um maior interesse da sociedade quanto a esse assunto foi a constatação da morte de crianças e entre todas elas, a morte do pequeno Aylan Kurdi, uma criança síria, de 3 anos, cujo corpo foi encontrado em uma praia da Turquia. A foto dessa criança, morta na praia, vítima do naufrágio de um barco de refugiados, foi estampada em jornais, e circulou rapidamente pelas redes sociais, causando muita tristeza.

Para quem vem estudando o assunto, essa foto simboliza uma realidade que não é nova, mas que parece mais presente nos dias atuais. E não é um problema exclusivamente europeu, é um fenômeno mundial, inclusive com repercussão no Brasil. Há uma forte relação entre as migrações e o mundo do trabalho, passando pelo tráfico de pessoas e pelo trabalho escravo; por isso escolhi este tema hoje para a atualização deste blog que fala da Vida e do Trabalho.

Para não me restringir a um desabafo ou simples emissão da minha opinião sobre um assunto tão complexo, considerei que uma boa contribuição a uma melhor compreensão sobre o tema, seria indicar uma boa referência. E ao procurar por ela, cheguei à excelente publicação produzida pelo Ministério Público do Trabalho - MPT. Reconhecendo a importância e a atualidade do assunto, o MPT promoveu em março do ano passado, em Brasília, o Simpósio Internacional sobre Migrações e Trabalho. Durante dois dias, a temática foi avaliada por diversos olhares, incluindo a participação de representantes da Argentina, Itália e Espanha.

Um dos frutos desse evento, foi a publicação, em 2015, do livro que representa, segundo os seus organizadores, "a concretização dos estudos, pesquisas e sentimentos depositados em palestras e debates do Simpósio".

No prefácio do livro, o Procurador Geral do Trabalho, Luís Antonio Camargo de Melo, discorre sobre o vínculo do assunto com a realidade do Brasil. Reproduzo, a seguir, um trecho desse prefácio:

"A história do povo brasileiro tem, em sua raiz, o trabalho do migrante, africano ou europeu, branco ou negro. No entanto, o enfrentamento que se confere ao tema, desde uma perspectiva econômica, social ou jurídica, já não pode ser o mesmo. Há 20 anos, o Brasil deu início a um trabalho eficaz, comprometido, solidário e interinstitucional, com vistas a erradicar de nosso território o trabalho escravo contemporâneo. Obtivemos resultados dignos de celebração, reconhecidos pela Organização Internacional do Trabalho.No entanto, os desafios se renovam e o trabalho escravo urbano bem como a presença do migrante indocumentado assumem preponderância na pauta de debates, estudo e atuação.As migrações, o trabalho escravo contemporâneo e o tráfico de seres humanos se inserem em um contexto marcado pela transversalidade. Como exemplo, cito a Campanha da Fraternidade de 2014, para a qual a Igreja Católica no Brasil escolheu o tema “fraternidade e tráfico humano”.Com esta obra, fruto do Simpósio Internacional Migrações e Trabalho, o Ministério Público do Trabalho objetiva jogar maiores luzes ao viés social do tema, sem deixar de reconhecer a relevância da atuação repressiva penal e política entre os Estados.A questão migratória e o mundo globalizado dizem respeito a todos nós: brasileiros, sul-americanos, cidadãos do mundo. Em 26 de março de 1991, era assinado o Tratado de Assunção e constituído o Mercado Comum do Sul – Mercosul. A zona de livre comércio, no entanto, tem maiores ambições. A integração política, social, educacional e a formação dos próprios trabalhadores pedem passagem. A livre circulação de pessoas e trabalhadores afeta diretamente a cidadania comunitária. O livre trânsito de mercadorias, serviços e estabelecimentos interferirá diretamente na abordagem jurídica que se imprime às relações de trabalho."
O livro está disponível ao público, através do portal do MPT. Os organizadores foram os procuradores Erlan José Peixoto do Prado e Renata Coelho. O livro é composto por treze artigos que tratam a questão sob perspectivas sociais, políticas e econômicas. Para ter acesso ao livro, acesse o portal do Ministério Público do Trabalho na Internet, ou clique aqui.

Fonte: Portal do Ministério Público do Trabalho: portal.mpt.gov.br

sábado, 1 de agosto de 2015

Segurança do Trabalho em Pequenas e Médias Empresas

Recentemente, eu li um trabalho publicado pela Agência Européia para a Segurança e Saúde no Trabalho, onde se analisavam os desafios de se trabalhar com segurança em pequenas e médias empresas. Na apresentação do assunto o trabalho elencava algumas razões identificadas como dificuldades de um gestão eficaz em SST:

Os dados mostram que os trabalhadores das empresas de menor dimensão estão sujeitos a maiores riscos do que os das empresas de maior dimensão, e que as primeiras sentem mais dificuldades para controlar os riscos. Diversos estudos, entre os quais o Inquérito Europeu às Empresas e Riscos Novos e Emergentes (ESENER) da EU-OSHA, revelam que os desafios associados à gestão da saúde e segurança no trabalho (SST) são bastante significativos nas empresas menores.
A gestão relativamente deficitária de SST pode ser atribuída a características específicas típicas das pequenas empresas, tais como os elementos estruturais e organizacionais do trabalho e do emprego, a situação econômica e as relações laborais, a diversidade e a flexibilidade das empresas, o distanciamento face à regulamentação, as atitudes e competências dos proprietários e dos trabalhadores neste tipo de empresas ou o seu curto ciclo de vida. Estas características fazem com que seja mais difícil às micro e pequenas empresas criarem e manterem um ambiente de trabalho seguro e saudável.
Fonte: https://osha.europa.eu/pt/themes/safety-and-health-micro-and-small-enterprises

No Brasil, as dificuldades são semelhantes e requerem uma ação coordenada dos Ministérios do Trabalho, Saúde, Previdência e Educação. As pequenas e médias empresas representam mais de 50% dos empregos de carteira assinada, 27% do PIB e somam mais de 9 milhões de estabelecimentos, de acordo com dados fornecidos pelo Sebrae.
Para superar obstáculos e obter resultados melhores, não é adequado o exagero normativo ou a fiscalização punitiva. O conceito de Inspeção do Trabalho, com caráter educativo e as ações de órgãos de atendimento coletivo, como é o caso daqueles que integram o sistema S, devem ser incentivadas e praticadas se quisermos implantar melhorias consistentes da gestão de segurança e saúde dessas empresas e com isso reduzir riscos e evitar acidentes.

Para conhecer mais sobre a Agência Européia de Segurança e Saúde, assista ao vídeo seguinte.




segunda-feira, 13 de julho de 2015

Discussão e produção científica em Segurança do Trabalho


Embora a característica que mais aparece para o grande público quando se fala em segurança do trabalho seja a conformidade legal, essa é apenas uma das formas de expressão dessa área de conhecimento.
No Brasil e no mundo, a pesquisa científica em saúde e segurança do trabalho é intensa e diversificada. O mundo do trabalho e sua complexidade exigem a dedicação de pesquisadores e professores e a atualização da produção científica, seja nas universidades ou em instituições de pesquisa.

A FUNDACENTRO vem desempenhando um papel de vanguarda nesse assunto, não só no que diz respeito à produção científica, mas também na divulgação da informação, seja na forma de publicações, normas, filmes e eventos. Além de representar o país em vários fóruns, a instituição vem ampliando suas relações com instituições similares de outros países. Com um corpo técnico diferenciado, composto por pesquisadores que possuem experiência e contato com o mundo do trabalho, a FUNDACENTRO é uma referência obrigatória para estudantes, professores e profissionais que atuam nas áreas de saúde e segurança do trabalho.

Entre as suas publicações, destaco a Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO), uma revista científica, editada há vários anos e que ganhou mais força ultimamente, provavelmente pela formação e experiência acadêmica da atual direção da instituição. Aberta às contribuições da sociedade em geral e do meio acadêmico especificamente, a RBSO é uma fonte de informação imprescindível para quem realiza pesquisas nessa área. A revista está em sua 130ª edição e desde a edição 105, seus artigos estão disponíveis também na base de dados do SciELO.


Em relação aos eventos organizados pela instituição, destaco o Congresso que vai ocorrer em agosto deste ano, em São Paulo: III Congresso Internacional de Ciências do Trabalho, Meio Ambiente, Direito e Saúde. Organizado pela Fundacentro, pela Asociacion Latinoamericana de Abogados Laboralistas – ALAL e pelo Ministério Público do Trabalho – MPT, ocorre entre os dias 24 e 28 de agosto, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.



Ainda no âmbito da divulgação de informações técnicas e científicas, a fundação mantém inúmeras publicações e filmes em seu portal na internet, canal do YouTube e Facebook. Portanto, basta navegar por esses canais para conhecer mais e melhor a Fundacentro, ou visitar a sua sede em São Paulo ou os centros regionais em várias cidades do Brasil.