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sábado, 24 de agosto de 2019

Acidentes de Trabalho e suas causas - parte 2

Na primeira parte deste artigo, usamos como referências principais quatro autores que se dedicaram muito ao estudo dos acidentes e suas causas: Frank Bird Jr., Trevor Kletz, Michel Llory e Mario Vidal. A principal motivação da primeira parte do artigo foi estabelecer um contraponto à ideia reducionista de buscar responsáveis ou culpados, acreditando que o erro humano é a causa raiz desses eventos indesejáveis (MATTOS, 2017). Se quiser ler a primeira parte agora, clique aqui.

Os autores escolhidos e referenciados, já vinham nos mostrando, desde a década de 70, a necessidade de análises mais amplas, reconhecendo a complexidade dos sistemas sociotécnicos e das causas dos acidentes.

No final da primeira parte do artigo, levantou-se o aspecto organizacional dos acidentes. Por isso, iniciamos esta segunda parte dando destaque aos acidentes ampliados, ou seja, aqueles cujas consequências ultrapassam os limites da empresa. Casos recentes, no Brasil, como o rompimento das barragens de rejeitos da mineração, em Mariana e Brumadinho (MG), são exemplos desse tipo de evento.

Brumadinho, MG, rompimento de barragem.
Foto 1: Washington Alves, Reuters
Os acidentes ampliados se caracterizam por afetarem, simultaneamente, uma elevada quantidade de pessoas, sejam elas trabalhadores ou moradores da vizinhança e ainda provocar danos ao ambiente e ao patrimônio. A denominação “acidentes ampliados” expressa a possibilidade de ampliação no espaço e no tempo das consequências desses acidentes (FREITAS, PORTO e MACHADO, 2000). Além disso, ao escolher a  denominação "ampliados" evita-se uma desqualificação de outros tipos de acidentes, uma vez que outras denominações, tais como "acidentes maiores" ou "acidentes graves", nos faria pressupor a existência de acidentes menores ou menos graves, mesmo em caso de mortes ou lesões incapacitantes. Dito de outra forma, a tipologia deve nos servir para melhorar a análise e não para algum tipo de classificação ou hierarquia (MATTOS, 2012).

Alguns autores, como é o caso de James Reason (1997), afirmam que existem dois tipos de acidentes: os que acontecem com pessoas e os que acontecem com as organizações. Reason reconhece que mesmo nos acidentes pessoais as consequências podem ser graves, mas sua abrangência é limitada, e explica da seguinte forma:


Os acidentes organizacionais são comparativamente raros, mas geralmente catastróficos, eventos que ocorrem no contexto de tecnologias modernas e complexas, como usinas nucleares, aviação comercial, indústria química e petroquímica, transporte marítimo e ferroviário (REASON, 1997, p. 1).

Esclarecido o aspecto da linguagem utilizada, voltemos à análise de suas ocorrências e causas.

Ao analisar esses eventos ampliados, Charles Perrow (1999) considera que as tecnologias de alto risco, em conjunto com a complexidade dos processos, deram origem a acidentes sistêmicos e inevitáveis. Segundo ele, os sistemas de produção tornaram-se tão complexos que é impossível antecipar todas as interações de falhas inevitáveis que levam a efeitos catastróficos. Isso ocorre pelo fato de os sistemas lidarem com substâncias mais letais ou porque a demanda é para funcionarem em ambientes mais hostis, com mais velocidade e volume. É uma visão um tanto quanto pessimista, pois considera que caminhamos inexoravelmente para os acidentes, na medida em que nossos sistemas se tornam mais complexos. E o que fazer, se prevalecer esse tipo de análise?

Ivette Veyret (2007) traz uma visão menos pessimista do que Perrow, embora reconheça que a eliminação do risco é uma concepção ultrapassada, pois não existe a segurança total. Como alternativa ela estabelece que o gerenciamento dos riscos deve estar melhor integrado às práticas de gestão. Ao tratar especificamente dos riscos industriais, Veyret  discorre que o método de análise desses riscos passa pela necessária identificação de todos os cenários de disfuncionalidades, o que depende do conhecimento de fenômenos acidentais que já ocorreram em um determinado processo industrial. Ela constata, entretanto, que com a velocidade do desenvolvimento tecnológico dentro dos processos industriais, nem sempre é possível obter informações de eventos acidentais, quando os processos são novos e relativamente desconhecidos, senão na sua essência, mas na sua característica de operação, seja por tamanho, quantidade ou velocidade. Ela indica para essas situações, isto é, quando o conhecimento científico não permite eliminar as dúvidas, a aplicação do princípio da precaução. O conceito embutido nesse princípio, é que não se utiliza a incerteza científica como desculpa para a diminuição da prevenção em função do desconhecimento do perigo.

Robert Melchers (2000) ao mencionar os riscos de novas tecnologias, reconhece que a sua gestão é mais complexa, pois eles podem parecer menores do que realmente são. Isso ocorre, segundo ele, porque a experiência relacionada à operação é pequena e por não ter havido tempo suficiente para que os problemas operacionais tenham se tornado evidentes. Nesses casos, as simulações, as extrapolações, os cálculos de probabilidades e a análise de abrangência de sistemas ou processos de características similares, tornam-se fundamentais.

Explosão e incêndio em refinaria da Exxon, na Califórnia, 2015
Foto 2: Corpo de Bombeiros de Los Angeles
E quando o acidente acontece, em um contexto de tão alta complexidade, como encontrar as causas? Isso é realmente possível? Me arvoro a dizer que nem todas as causas serão identificadas. As intrincadas relações entre sistemas, histórico, projetos, pessoas, podem tornar impossível essa tarefa em sua totalidade. Mas isso não deve nos desmotivar, ao contrário, é um estímulo ao estudo. Quanto mais causas forem identificadas e bloqueadas, menor será a probabilidade de uma nova ocorrência.

Michell Llory, em entrevista para os professores Rodolfo Vilela, Ildeberto Muniz e Flora Vezza, publicada na revista Saúde e Sociedade, em 2013, ensina que processos de decisão muito distantes e anteriores à operação direta é que têm um papel decisivo na ocorrência dos acidentes. E que os riscos não estão ligados às ações individuais das pessoas. Por isso, para essa tarefa de encontrar as causas, ele recomenda um esforço permanente de curiosidade, de investigação interdisciplinar, de procurar em muitos lugares diferentes, em todas as áreas do conhecimento:
Neste sentido, acredito que é particularmente útil o uso do paradigma indiciário para fazer uma investigação que construa o raciocínio a partir de indícios existentes na situação. Trata-se de um método usado por vários profissionais para fazer um diagnóstico, sejam eles médicos, historiadores, policiais ou psicanalistas. Esta abordagem é essencialmente clínica, portanto muito diferente dos métodos do engenheiro: este aplica métodos muito estruturados, frequentemente utilizados através de suportes informatizados, que consistem muitas vezes em assinalar campos pré-estabelecidos. (Llory, 2012)

Se por um lado a crítica de Llory possa passar uma mensagem de descrédito quanto às metodologias utilizadas pela indústria em geral, por outro pode-se  compreendê-la como um alerta da necessidade de ampliar o horizonte da análise e investigação.

Afinal, esse conhecimento das causas, é o que vai nos servir para evitar a recorrência ou a repetição do mesmo evento, para evitar a ocorrência de eventos semelhantes ou para a proteção contra as consequências. O objetivo de uma investigação de um acidente é, obviamente, entender por que o acidente aconteceu e trabalhar para que não se repita.

Sobre as diferentes metodologias utilizadas para encontrar as causas de um acidente, um relatório elaborado pelos pesquisadores Erick Hollnagel e Josephine Speziali, em 2008, identificou vinte e um métodos e selecionou sete deles para análise e comparação. A pesquisa foi encomendada pela SKI - Swedish Nuclear Power Inspectorate, que na ocasião era o organismo oficial sueco de proteção contra a radiação. Não vou entrar aqui no detalhamento desse excelente trabalho, uma vez que a proposta do nosso artigo é enfatizar a importância e a complexidade de identificação das causas e a partir delas da construção das medidas de controle. Mas destaco este trecho da conclusão da pesquisa:
A conclusão é que nenhum método específico é o melhor no sentido de que pode ser usado para todas as condições. Embora possa ser conveniente, ou mesmo necessário, para um organização adotar um método específico como padrão, isso deve sempre ser feito conscientemente e com uma vontade de reconsiderar a escolha quando as condições assim o exigirem. Em cinco ou dez anos, devemos esperar que os métodos desenvolvidos hoje tenham ficado parcialmente obsoletos, não porque os métodos mudam, mas por que muda a natureza dos sistemas sociotécnicos e, portanto, a natureza dos acidentes deles decorrentes. (Hollnagel e Speziali, 2008)

Embora se possa constatar a complexidade desse tema, ainda é comum a busca da simplificação da análise e por consequência, da identificação das causas. É uma forma de se livrar mais rapidamente do problema, responder a uma opinião pública que muitas vezes se mostra punitivista, porém não traz a solução mais eficaz, ou seja, não gera aprendizado, não aprofunda o conhecimento e não propicia o amadurecimento das análises e investigações.

Raoni Rocha e Francisco Lima, ao realizarem, em 2018, um estudo sobre o acidente com o vôo 447 da Air France, destacaram que o erro humano é apontado como o último elo da cadeia de eventos que levaram ao acidente e, portanto, como sua causa imediata. Mas eles propuseram uma explicação alternativa, que não se limitou a identificar erros cometidos pela tripulação, mas uma explicação sobre os próprios erros:
Na análise cognitiva dos acidentes, fundamentada nos conceitos de ação e cognição situadas, o erro humano não explica o acidente, mesmo quando ele se apresenta como sua causa imediata, ou o último elo em uma cadeia de eventos. Que este erro tenha acontecido é que exige explicação. (Rocha e Lima, 2018)
Mesmo existindo uma literatura farta, com base em pesquisas de campo e análise de acidentes, ainda há quem culpe a vítima. Recentemente, por exemplo, o CEO de uma grande empresa afirmou em uma entrevista, a respeito da morte de um empregado em um acidente de trabalho, que a vítima errou e pagou com a própria vida. Mas que os supervisores também erraram e deveriam ser demitidos.

Esse depoimento ilustra como a simplificação da análise é uma escolha fácil que pode agradar a muitos ouvidos, uma vez que é uma resposta rápida, praticamente imediata, após um acidente. Mas revela desconhecimento das causas mais importantes, as causas latentes, que possibilitam o desencadear de eventos iniciadores de um processo que pode culminar com um acidente.

Porém, uma revisão da literatura especializada, ainda que pequena como esta, apresentada nas duas partes deste artigo, evidencia que a complexidade desse assunto exige que as análises dos acidentes sejam feitas de forma abrangente, buscando identificar um conjunto de causas prováveis, através de métodos que reconheçam a sua própria insuficiência.

Nessa segunda parte, com foco nos acidentes ampliados, procuramos destacar que as organizações, com suas escolhas e direcionamentos, podem desempenhar um papel fundamental e indutor tanto para a ocorrência desses eventos indesejados, quanto para a sua prevenção.

O autor: Ricardo Pereira de Mattos é engenheiro eletricista (UFRJ), com pós-graduação em engenharia de segurança do trabalho (PUC-Rio) e Mestrado em Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (UFF).

Referências:

MATTOS, R.P. Acidentes de trabalho e suas causas - parte 1. Endereço da Prevenção. Blog de informação em Segurança, Meio Ambiente e Saúde, 2017. Disponível em https://enderecodaprevencao.blogspot.com/2017/06/acidentes-de-trabalho-e-suas-causas.html

FREITAS, C. M.; SOUZA, M. F.; MACHADO, J. M. H. (Orgs.). Acidentes industriais ampliados: desafios e perspectivas para o controle e a prevenção. Rio de Janeiro: FIOCRUZ, 2000.

MATTOS, R.P. Aspectos de Segurança de Trabalho na formação de engenheiros. Dissertação de Mestrado. Rio de Janeiro: Universidade Federal Fluminense, 2012. Disponível em https://app.uff.br/riuff/handle/1/859

REASON, J. Managing the risks of organizational accidents. Aldershot: Ashgate, 1997.

PERROW, C. Normal Accidents – Living with high-risk technology. New Jersey:
Princeton University Press, 1999.

VEYRET, Y. (Org.) Os riscos – o homem como agressor e vítima do meio ambiente. Tradução Dilson Ferreira da Cruz. São Paulo: Contexto, 2007.

MELCHERS, R.E. On the ALARP approach to risk management. Reliability Engineering and System Safety, 71, p. 201-208, 2001.

VILELA, Rodolfo Andrade de Gouveia; ALMEIDA, Ildeberto Muniz; VEZZA, Flora Maria Gomide. A investigação de acidentes industriais: uma entrevista com Michel Lllory. Saúde e Sociedade. São Paulo , v. 22, n. 1, p. 262-269, Março, 2013.

HOLLNAGEL, E.; SPEZIALI, J. Study on Developments in Accident Investigation Methods: A Survey of the “State-of-the-Art”. SKI Report 2008:50.  Stockholm: Swedish Nuclear Power Inspectorate, 2008.

ROCHA, R. e LIMA, F. Erros humanos em situações de urgência: análise cognitiva do comportamento dos pilotos na catástrofe do vôo Air France 447. Gestão e Produção [online]. 2018, vol.25, n.3, pp.568-582.

Foto 1: Brumadinho, MG, rompimento de barragem. Washington Alves, Reuters. Disponível em http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2019-08/cvm-abre-inquerito-sobre-rompimento-da-barragem-em-brumadinho


Foto 2: Explosão e incêndio em refinaria da Exxon, na Califórnia. Disponível em https://www.ogj.com/general-interest/article/17290045/csb-issues-final-report-on-2015-fcc-unit-blast-at-exxonmobil-refinery

terça-feira, 24 de julho de 2018

Primeiro no Local: Acidente com produtos químicos

No final de 2017 foi lançado o vídeo "Primeiro no Local", para auxiliar as ações de informação e treinamento sobre o atendimento a acidentes rodoviários com produtos perigosos. Com a proposta de divulgar amplamente os conceitos corretos para o atendimento a emergências, a Comissão de Estudos de Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no Estado de São Paulo, organizou um grupo de trabalho para a produção de um vídeo que retrata a atuação adequada do “Primeiro no Local”, que é o profissional designado para se dirigir ao local do acidente, constatar os fatos e adotar as primeiras medidas protetivas.

As gravações foram realizadas num trecho da rodovia Ayrton Senna, em São Paulo e contaram com a participação de profissionais da Cetesb, do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, da Polícia Rodoviária Federal e da Central Pró-Química, além do apoio de empresas: Luft (que atua no transporte rodoviário de produtos perigosos) e Suatrans (que atua no atendimento a emergências de produtos perigosos).


O vídeo está disponível no YouTube, no canal da Suatrans, e aborda uma situação real de um vazamento de produto químico com contaminação, apresentando de forma rápida e prática os procedimentos de atendimento, acionamento das centrais, criação de zonas de trabalho, descontaminação e encaminhamento das vítimas.

O vídeo foi elaborado por diversos órgãos que atuam no atendimento a emergências com produtos perigosos, elaborando um roteiro que retrata situações reais do dia-a-dia das estradas brasileiras. O patrocínio foi da ABIQUIM, por intermédio do PRÓ-QUÍMICA.

Criado em 1988 pela ABIQUIM - Associação Brasileira da Industria Química, O PRÓ-QUÍMICA é um serviço de utilidade pública 0800 e 24 horas, que atende em todo o país informando os procedimentos de transporte e manuseio de produtos químicos, inclusive nas emergências, podendo ser utilizado gratuitamente por empresas, profissionais e população em geral.

Assista aqui ao vídeo "Primeiro no Local".




Fontes:




sábado, 23 de junho de 2018

A segurança das pessoas e o padrão brasileiro de plugues e tomadas

O novo padrão brasileiro de plugues e tomadas veio estabelecer um patamar de segurança e funcionalidade para as instalações elétricas prediais. Ele foi adotado após alguns anos de intensa discussão dentro da comunidade técnica especializada: profissionais, empresas, associações, com o respaldo técnico da ABNT, que editou a NBR 14136, e o apoio legal do INMETRO. Infelizmente, nem todos os profissionais se interessaram pelo debate, alguns até porque não acreditaram que as medidas seriam adotadas. Talvez por isso, ainda haja muitas dúvidas entre os usuários e até mesmo entre os profissionais que atuam na área de instalações prediais.

As diferenças

A principal diferença é que não tínhamos um padrão para esses dispositivos. Ao longo dos anos, fomos obrigados a conviver com tipos diferentes que foram surgindo de acordo com a demanda de novos equipamentos e de padrões estrangeiros. A maioria desses tipos era incompatível com as normas brasileiras de instalações elétricas, principalmente pela ausência da conexão para o aterramento, medida indispensável para a segurança das pessoas.

As novas tomadas e plugues são muito mais seguras pois foram projetadas tendo a segurança como um de seus principais objetivos. Além dos itens visíveis como a conexão de aterramento ( o terceiro pino ) e do formato de encaixe, que não permite o contato acidental com os pinos durante a colocação do plugue, há inovações na parte interna das tomadas. Os contatos internos somente se fecham quando os dois pinos entram simultaneamente. Isso evita, por exemplo, que a inserção de um objeto metálico em um dos furos da tomada feche o contato e provoque um choque elétrico. É uma medida contra as “travessuras” das crianças, por exemplo, contra a distração, tentativas de conectar plugues no escuro etc.

Outro item muito importante, é que os aparelhos elétricos de maior potência, serão montados com plugues de pinos mais grossos, de forma que não será possível conectá-los com as tomadas comuns. É uma medida preventiva de forma que equipamentos de consumo elevado de energia não provoquem uma sobrecarga nessas tomadas, isto é, aquecimento excessivo e ignição de incêndios. Para esses equipamentos, com plugues mais grossos, há tomadas equivalentes com orifícios mais grossos e portanto, com maior capacidade de suportar a passagem da energia elétrica.

A transição

Em um primeiro momento não há necessidade de intervir na instalação elétrica. A cada novo equipamento adquirido, o consumidor poderá optar em usar um adaptador ou trocar a tomada. Não se deve trocar o plugue de um equipamento, salvo no caso de um acidente que tenha provocado a sua deterioração. Os cabos e os plugues dos equipamentos integram um conjunto testado e aprovado. Por isso não é recomendável alterar a configuração original do fabricante do equipamento.

No caso do aterramento, não basta trocar a tomada para garantir a segurança. Por trás de cada tomada nova, também é necessário que exista o fio-terra, aquele fio que vai conduzir a corrente elétrica caso ocorra um defeito, evitando que a corrente percorra o corpo de uma pessoa que esteja em contato com o equipamento elétrico que apresentou o defeito. Esse fio-terra (condutor de proteção) já deveria estar instalado pois é uma exigência técnica que consta nas normas técnicas há muitos anos. Além disso, há uma lei federal (Lei 11.337/2006) que determina a obrigatoriedade da instalação do aterramento. Portanto, todas as novas construções, desde 2006, devem obedecer a essa exigência.

Observe que os plugues e tomadas integram um conjunto de ações para aumentar a segurança das instalações elétricas prediais. Eles, sozinhos, não resolvem todos os problemas. Se a instalação é nova e todas as tomadas já estão instaladas de acordo com o novo padrão, a situação é mais simples. Para equipamentos antigos, devem usar os adaptadores. Quando adquirirem novos equipamentos, eles já virão preparados para as novas tomadas.

Manutenção

A necessidade de substituição de uma tomada gera uma oportunidade de se pensar no conjunto da instalação. Se nunca foi feita uma revisão das instalações elétricas, essa é uma medida importante a ser adotada. Com o passar dos anos, aumentou de forma impressionante a quantidade de equipamentos elétricos instalados nas residências e escritórios. Se a instalação não acompanhar essas evolução, os fios, as tomadas e disjuntores ou fusíveis instalados há dezenas de anos podem não suportar a carga instalada. No caso de disjuntores e fusíveis, se tiverem sido bem dimensionados e instalados eles começarão a desarmar ou queimar. É um sintoma de problemas a serem resolvidos urgentemente. A carga elétrica excessiva pode provocar aquecimento dos fios e tomadas, tornando-se focos de ignição de incêndios. Isso também pode ocorrer se tiverem sido utilizados produtos inadequados na fabricação dos fios, tomadas, plugues, adaptadores, extensões etc. Pode parecer estranho, mas infelizmente há muitos produtos “piratas”, principalmente em lojas não especializadas e no comércio de rua. Esses produtos custam menos porque usam materiais de qualidade inferior, e seu desempenho não atende o que exigem as normas e nem mesmo as características que estampam em suas embalagens. Outro cuidado a ser tomado diz respeito ao uso de extensões de tomadas. Os prédios mais antigos possuem pouca quantidade de tomadas em cada cômodo. Isso fez com que se proliferassem as extensões, fixas ou móveis, e os “tês” ou benjamins, para a instalação dos novos aparelhos elétricos. Esses dispositivos, embora sejam extremamente práticos, podem fazer com que em um único ponto esteja acumulada uma carga excessiva, sinônimo de superaquecimento. Por isso, em uma reforma, é imprescindível incluir o aumento da quantidade de pontos de tomadas, utilizando, é claro, o novo padrão.

A manutenção de qualquer tipo de instalação é fundamental para o seu desempenho satisfatório ao longo dos anos. Entretanto, não é uma prática comum em instalações prediais. Na maior parte dos casos, infelizmente, as intervenções só acontecem nas reformas, ampliações etc. A manutenção pode começar com um tipo de inspeção visual que o próprio usuário pode e deve fazer, identificando problemas tais como tomadas sobrecarregadas de equipamentos, plugues imprensados atrás de armários, sofás ou outros móveis, cortinas e tapetes em contato com fios ou conexões de tomadas, interruptores e tomadas com alteração em sua cor original (causada por aquecimento). Outras observações importantes ainda a cargo do usuário, dizem respeito à percepção de determinadas ocorrências como o aquecimento de interruptores, queima de lâmpadas em intervalos curtos de tempo, variações muito bruscas na iluminação quando outros equipamentos estão ligados (ar condicionado e chuveiros, por exemplo), disjuntores desarmando ou fusíveis queimando. Em seguida, cada um dos problemas identificados deve ser corrigido com o auxílio de profissionais qualificados. Não há prescrições na legislação ou nas normas técnicas quanto à periodicidade da manutenção preventiva das instalações prediais. O ideal é uma inspeção anual nos termos explicados anteriormente e a cada cinco anos a inspeção visual qualificada das partes internas de interruptores e tomadas, e do quadro de disjuntores, e o reaperto das conexões. Nessa manutenção preventiva, proposta para cada cinco anos, seriam feitas as substituições, inclusive da fiação de alguns dos circuitos elétricos, bem como o acréscimo de circuitos, disjuntores, proteção diferencial, tomadas, testes de continuidade e outros ensaios previstos na normalização técnica, especialmente na NBR 5410, norma brasileira de instalações elétricas de baixa tensão. Por sinal, essa norma estabelece, detalhadamente, os testes que devem ser feitos antes de uma instalação ficar pronta e durante o seu funcionamento.

Profissionais qualificados

As intervenções em instalações elétricas devem ser feitas exclusivamente por profissionais qualificados. Ao usuário leigo não deve ser permitido o acesso às partes internas das instalações ou dos equipamentos. Portanto, sua atuação deve estar restrita à substituição de lâmpadas e instalação de equipamentos que dependam exclusivamente de conexão direta a uma tomada. É interessante observar que até mesmo atividades simples requerem cuidados. A troca de uma lâmpada, por exemplo, exige que o circuito esteja desligado pois um contato indesejado com a parte interna do bocal da lâmpada pode ocasionar um choque. Ligar um equipamento com os pés ou mãos molhados, também pode causar um choque se houver algum defeito de isolamento no equipamento e o circuito não estiver protegido com o fio terra ou com um interruptor de corrente de fuga (denominado de dispositivo DR).

Cuidados

Quando se trata de eletricidade, alguns cuidados importantes são: Adquirir equipamentos e materiais elétricos de boa qualidade. Em grande parte dos casos, esses equipamentos possuem a certificação obrigatória assinalada pelo selo do INMETRO. Contratar serviços especializados, com profissionais qualificados. Utilizar os recursos tecnológicos de proteção, ou seja, circuitos elétricos com aterramento, proteção diferencial residual (DR) contra choques, disjuntores para impedir a sobrecarga e os curto-circuitos. Tudo isso não dispensa os cuidados básicos de não deixar fios e instalações expostas, não mexer em circuitos elétricos ou equipamentos com os pés ou mãos molhados, manter as instalações inacessíveis para crianças, nunca mexer nas instalações sem desligar o disjuntor correspondente e não abrir equipamentos elétricos sem desligá-los da tomada. Lembre-se que a eletricidade mata, mesmo em circuitos aparentemente inofensivos.

As pesquisas realizadas no Brasil pela ABRACOPEL – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade comprovam que a quantidade de acidentes com eletricidade é muito grande. Outra instituição que vem fazendo levantamentos das condições das instalações elétricas nas grandes cidades brasileiras é o Instituto Procobre, através do Programa Casa Segura. Esses levantamentos mostraram que, em grandes cidades brasileiras, mais da metade dos residências com mais de 20 anos de construção, nunca fizeram uma reforma nas instalações elétricas. Eis aí uma informação assustadora, que explica a razão das terríveis notícias sobre acidentes domésticos fatais. Em resumo, a eletricidade não mata apenas no trabalho, mas em residências e nas ruas. Para as instalações elétricas prediais, o novo padrão brasileiro de plugues e tomadas vem cumprir uma parte da responsabilidade técnica das empresas e profissionais de engenharia quanto a proteção das pessoas e do patrimônio. Que cada um faça a sua parte.


O autor: Ricardo Pereira de Mattos é engenheiro eletricista (UFRJ), com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho (PUC-Rio) e Mestrado em Sistemas de Gestão de Segurança do Trabalho (UFF). Atuou em diversas instituições de ensino como professor de cursos de pós graduação em engenharia de segurança do trabalho, principalmente na disciplina de Segurança em Instalações Elétricas. É membro da SOBES - Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança e da ABRACOPEL - Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade.  


P.S. Este foi um artigo que eu escrevi e publiquei em agosto de 2010 (publicação original no seguinte endereço: http://www.ricardomattos.com/plugues_tomadas.html.

A edição desta semana da Revista Época (22/06/2018) publicou uma reportagem de capa  tão absurda, incompleta, sem embasamento técnico ou científico, que resolvi republicar este artigo em nosso blog.


Usando a péssima prática de ouvir apenas um dos lados e de investir em acusações, a revista resolveu tratar de um tema técnico como faz na política. Uma pena. Poderia ter procurado profissionais ou associações técnicas que conhecem e trabalham na área. Fiz questão de reproduzir o meu artigo na íntegra, para evidenciar que ele foi escrito em 2010, portanto há 8 anos. Se alguém ganhou dinheiro com essa mudança, como enfatiza a reportagem, eu digo: claro que sim. Afinal, estamos em uma sociedade capitalista, qualquer novo investimento, produto ou processo está sob a gestão de empresas e isso vai gerar vendas e lucros. Mas não é assim que funciona o sistema? A questão central não é essa. O "terceiro pino" é a conexão com o aterramento, uma medida usada em todo os lugares do mundo. Será que os repórteres, revisores ou editores nunca perceberam isso em suas viagens internacionais? Caso não tenha viajado, não pesquisaram sobre o assunto antes de publicar?

A revista pretende fazer reportagens contra outros requisitos de segurança? E o pára-raios? Afinal, para que sistemas de proteção contra descargas atmosféricas se os raios continuam "caindo"? E as mangueiras de incêndio e redes de sprinklers? Tem muita gente ganhando dinheiro com eles? Pois os incêndios continuam acontecendo... Freios ABS? Bobagem... Cinto de Segurança pra quê? O trânsito continua matando... Lei Seca? Ah, tem muita gente que não bebe e causa acidentes... É esse tipo de raciocínio que a  revista desenvolveu nessa "reportagem".

Um destaque negativo dessa natureza, em uma revista de circulação nacional e com a capa exposta em todas as bancas de jornais do país, causa um estrago quase irreparável na conscientização das pessoas para as questões de segurança com eletricidade. E o pior, é uma atuação contra a segurança das pessoas e das instalações. Triste caminho vem trilhando o jornalismo dessa revista com esse tipo de abordagem irresponsável. 

domingo, 8 de abril de 2018

Bloqueio de disjuntores é uma das medidas de prevenção de acidentes com eletricidade

Como bloquear disjuntores de forma segura e eficiente?
(João Marcio Tosmann*)

Artigo reproduzido com autorização da TAGOUT Bloqueio e Etiquetagem.


Um dos procedimentos que exige maior atenção durante a manutenção preventiva ou corretiva nas indústrias é como realizar o bloqueio de disjuntores de forma correta e segura. Isso porque a proteção dos funcionários é dever da empresa e um tema que precisa ser levado a sério por toda a equipe – da manutenção aos operadores de máquinas, que também mantêm contato próximo com os equipamentos.


Os dispositivos de bloqueio de disjuntores servem para impedir o religamento mecânico e elétrico de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos durante o período de manutenção. São considerados Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs) – que instalados e utilizados no ambiente de trabalho, servem para proteger os trabalhadores em relação aos riscos coletivos existentes nos processos.

Os EPCs são importantes na rotina de uma indústria pois ajudam a evitar acidentes, já que não dependem da atitude do funcionário para que sejam eficazes. Por isso, as medidas de proteção coletiva são prioridade e estão de acordo com as normas regulamentadoras NR-4, NR-10, NR-12 e NR-33, a fim de garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.


Além da proteção ao trabalhador, os EPCs também contribuem para a redução significativa ou eliminação total dos custos diretos e indiretos gerados por consequências de acidentes do trabalho.

Tipos de Disjuntores


O disjuntor é um dispositivo eletromecânico que protege determinada instalação elétrica contra possíveis danos relacionados a sobrecargas elétricas, curto-circuitos e falta de fase. Sua função é controlar a corrente elétrica e interromper a sua circulação, desarmando o disjuntor, caso haja picos de energia que ultrapassem o adequado, a fim de evitar a queima da máquina ou equipamento e até incêndios.


No mercado, existem diversos tipos de disjuntores, desde os utilizados nas residências até os que controlam a energia elétrica de unidades industriais, com circuitos de alta tensão.

Para cada tipo de disjuntor, é recomendado um tipo de bloqueio.

Independentemente do tipo de disjuntor a ser bloqueado, o importante é que os técnicos envolvidos na manutenção dos dispositivos tenham conhecimento e segurança para cumprir as normas. Conheça algumas soluções:

# 1 – Dispositivos de Bloqueio Universal para Disjuntores (DBU)

O Dispositivo de Bloqueio Plástico Universal para Disjuntores (DBU) é utilizado para bloquear disjuntores que atendem a norma DIN monopolar, bipolar e tripolar, NEMA e Disjuntor Caixa Moldada. Ele é composto por uma capa de plástico ABS vermelho, com base de nylon rígido preto, um parafuso de latão de fixação manual e um orifício para colocação do cadeado frontal ou lateralmente.

Pode ser aplicado no disjuntor facilmente de acordo com a NR-10. Para isso, basta colocar o disjuntor em modo off, colocar o DBU na manopla e, com a chave de fenda, apertar o parafuso até fixar bem. Para complementar, deve-se colocar o cadeado de bloqueio e a etiqueta de identificação.

# 2 – Dispositivos de Bloqueio para Disjuntor DIN (DBDD)

O Dispositivo de Bloqueio para Disjuntor Norma DIN (DBDD) pode ser usado como trava para disjuntores norma DIN monopolar, bipolar e tripolar. Para ser colocado deve-se desligar o disjuntor (modo off) e inserir o dispositivo no interruptor do disjuntor, juntamente com o cadeado e a etiqueta de bloqueio.


# 3 – Garras de bloqueio

https://www.tagout.com.br/img/produtos/media/garra-plastica-GP6F216BC-fechada.jpg

As garras de bloqueio são ideais para o travamento disjuntores em geral. Os seis furos da garra de bloqueio permitem que até seis profissionais bloqueiem uma única fonte de energia. A garra é feita de material rígido, resistente à alta temperatura e não condutor elétrico.

A utilização do mesmo bloqueio por mais de um técnico assegura que a máquina ou equipamento permaneça bloqueado até que todos os envolvidos na manutenção ou inspeção tenham concluído as suas atividades. Para isso, cada funcionário de manutenção coloca o seu cadeado e sua etiqueta de identificação em um dos seis furos da garra de bloqueio. O equipamento só é liberado depois todos os envolvidos tenham concluído e retirado seus respectivos cadeados e etiquetas, aumentando a segurança e eficácia do processo de bloqueio.

É recomendada para o bloqueio de disjuntor do tipo Motor. Para isso, deve ser aplicada com a manopla do disjuntor em modo off. A garra deve ser colocada no ofício do disjuntor, juntamente com o cadeado e a etiqueta de bloqueio.

# 4 – Cadeados de bloqueio




Assim como as garras de bloqueio, o cadeado de bloqueio serve para impedir o religamento de máquinas, equipamentos ou painéis elétricos durante o período de manutenção. Somente desligar a máquina e realizar a manutenção é muito perigoso, já que outra pessoa pode religar a máquina a qualquer minuto, enquanto o funcionário está fazendo a manutenção.

Os cadeados de bloqueio com corpo plástico são especiais para manutenções industriais, garantindo ao técnico maior segurança. Além do corpo plástico não condutor, os cadeados de bloqueio possuem cilindro com seis pinos de segurança, garantindo ao técnico que somente a sua chave é capaz de abrir seu cadeado.


# 5 – Sinalização de bloqueios elétricos


Os cadeados de bloqueio devem estar acompanhados da sinalização de bloqueio adequada, como a etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável. Isso garante maior segurança a todo o processo.

*Sobre o autor: João Marcio Tosmann é formado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Eletrônica, pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM.

Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem que oferece consultoria, treinamento e elaboração de procedimentos para implantação do Programa de Controle de Energias Perigosas (PCEP).

Gostou do conteúdo? Se tiver dúvidas ou quiser compartilhar comigo a sua opinião, envie um e-mail para contato@tagout.com.br. Aguardo o seu contato!

Informações sobre a empresa:
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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Controlando Energias Perigosas

Uma das áreas críticas para a gestão de segurança industrial, é o controle de energias perigosas. Seja em forma de energia elétrica ou mecânica, fluidos pressurizados ou em alta temperatura, enfim, um amplo espectro de variáveis estão envolvidas.

Ciente da importância desse assunto, estou reproduzindo, após autorização, o artigo do engenheiro João Márcio Tosmann. Ele é engenheiro eletricista e diretor da Tagout. Seus dados completos estão no final do artigo.

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5 dicas para reduzir os riscos de acidentes durante a manutenção de máquinas industriais

Autor: Eng° Eletricista - João Márcio Tosmann*

A manutenção de máquinas e equipamentos industriais faz parte da rotina de qualquer indústria, e deve ser levada a sério para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Para isso, a NR-12 do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece requisitos mínimos para a prevenção de acidentes nestas situações.

Sejam preventivos ou corretivos a manutenção, inspeção, reparo, limpeza, ajuste e outras intervenções que se fizerem necessárias em equipamentos, todos eles devem ser executados por profissionais capacitados e com a adoção correta de procedimentos de segurança.

Entre as medidas de proteção previstas pela NR-12 estão: medidas de proteção coletiva ou EPCs (cones e faixas de segurança, placas de sinalização, sensores de presença, sirenes e alertas luminosos), administrativas ou de organização do trabalho, e de proteção individual ou EPIs (como luvas, protetores auriculares, capacetes, botas, entre outros).

É importante destacar que a atividade de manutenção e teste de máquinas e equipamentos expõe os técnicos responsáveis a riscos que não estão presentes, na maioria das vezes, na rotina de funcionamento da máquina. Assim, para evitar perigos como choque elétrico, incêndio, explosão e riscos mecânicos (como agarramento, corte, esmagamento, por exemplo), é preciso haver um cuidado redobrado!

Quais os procedimentos necessários para reduzir os riscos de acidentes durante a tarefa de manutenção?


1. Desligamento e descarga da energia residual

A manutenção, inspeção, reparo, limpeza, ajuste e outras intervenções devem ser executadas por profissionais capacitados, qualificados e legalmente habilitados mediante desligamento e descarga de energias residuais de todas as fontes possíveis, como tubulações de ar comprimido, vapor, água e outros, bem como máquinas e equipamentos.


2. Bloqueio mecânico e elétrico dos dispositivos de energia

É fundamental manter o bloqueio mecânico e elétrico na posição “desligado” ou “fechado” de todos os dispositivos de corte de fontes de energia, a fim de impedir a reenergização durante o processo de manutenção. O procedimento de bloqueio tem como objetivo prevenir acidentes de trabalho durante os serviços de manutenção onde existem fontes de energias perigosas.



Para isso, o operador de manutenção precisa ter o controle da energização do equipamento, a fim de impedir o acionamento acidental da máquina por terceiros. Todos os disjuntores e seccionadoras que alimentam o equipamento devem ser bloqueados com cadeados e dispositivos de bloqueios específicos. Somente eletricistas capacitados, habilitados e autorizados devem ter acesso a eles.

Cadeados de bloqueio

Os cadeados de bloqueio com corpo plástico são especiais para manutenções industriais, garantindo ao técnico maior segurança. Além do corpo plástico não condutor, os cadeados de bloqueio possuem cilindro com 6 pinos de segurança, garantindo ao técnico que somente a sua chave é capaz de abrir seu cadeado.


3. Bloqueio mecânico do interruptor principal de acionamento da máquina

Outra opção para o bloqueio mecânico e elétrico é travar o interruptor principal de acionamento da máquina com a garra de bloqueio. As garras multiplicadoras de bloqueio asseguram que a máquina ou equipamento em manutenção permaneça bloqueado até que todos os envolvidos na manutenção ou inspeção tenham sido concluídos.

Guarra multiplicadora de bloqueio

Para isso, cada funcionário envolvido na operação coloca seu cadeado de bloqueio e sua etiqueta de identificação em um dos 6 orifícios da garra, e o equipamento só é liberado após todos os envolvidos concluírem o serviço e retirarem seus cadeados e etiquetas, aumentando a segurança e eficácia do processo de bloqueio.


4. Sinalização de bloqueios mecânicos e elétricos

Os bloqueios dos equipamentos em manutenção devem estar sinalizados com cartão ou etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável ou então etiqueta com foto, nome, departamento e ramal do responsável pelo bloqueio.


5. Isolamento e sinalização do local de manutenção

Compreende a utilização de cores, símbolos, inscrições, sinais luminosos ou sonoros, entre outras formas de comunicação de mesma eficácia. Esta sinalização deve ser adotada durante todo o período de manutenção das máquinas e equipamentos. Devem ser adotados, sempre que necessário, sinais ativos de aviso ou de alerta, que indiquem a iminência de um acontecimento perigoso decorrente do procedimento de manutenção.

Esta sinalização de segurança serve para advertir os trabalhadores e terceiros sobre os riscos a que estão expostos, além das instruções de manutenção e outras informações necessárias para garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores.


Um conjunto de medidas preventivas é o melhor caminho para proteger a equipe de acidentes a que todos estão sujeitos diariamente. Por isso, além das medidas listadas acima, e do uso correto dos EPCs e EPIs, é sempre importante que a equipe de manutenção esteja em dia com os treinamentos e capacitações para a realização das suas atividades.


*Sobre o autor: João Márcio Tosmann é formado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Eletrônica, pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM. Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem que oferece consultoria, treinamento e elaboração de procedimentos para implantação do Programa de Controle de Energias Perigosas (PCEP). No portal da empresa Tagout você pode conhecer os serviços e equipamentos relacionados a este artigo: 
https://www.tagout.com.br/

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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Abracopel apresenta um documento inédito sobre Acidentes com Eletricidade

No início do mês de maio, a Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) lançou a primeira edição do Anuário Estatístico Brasileiro dos Acidentes de Origem Elétrica.

O Anuário traz em seu conteúdo os dados estatísticos dos acidentes de origem elétrica entre os anos de 2013 e 2016. São diversos gráficos, infográficos e informações sobre três tipos de acidentes de origem elétrica: choques elétricos, incêndios gerados por curtos-circuitos e descargas atmosféricas (raios). Os dados foram segmentados por regiões brasileiras e por estados. Assim, é possível ter uma ideia da evolução dos acidentes de forma detalhada em todas as partes do país. Veja mais detalhes no portal da Abracopel: abracopel.org



No mesmo evento, o Instituto Brasileiro do Cobre (Procobre) apresentou o resultado da pesquisa intitulada o "Raio-X das Instalações Elétricas Brasileiras". Trata-se de uma pesquisa feita em mais de 1000 residências em todo o país verificando as condições das instalações dentro das casas dos brasileiros. A pesquisa revela, por exemplo, que quase metade das casas brasileiras (45%) não possui projeto elétrico. Em outros 26% dos imóveis, os donos não sabem ou não lembram se já o fizeram. Da mesma forma, os
 dados mostram a ausência do aterramento e de dispositivos de proteção contra choque elétrico (DR). Ou seja, o trabalho de educação e conscientização precisa ser reforçado para que se alcance uma redução significativa da quantidade de acidentes com eletricidade. Essa pesquisa é parte integrante do Programa Casa Segura.

Os dois documentos são de acesso público, a partir do portal das instituições mencionadas.




domingo, 1 de janeiro de 2017

Feliz Ano Novo!

No início do ano, estamos sempre desejando o melhor aos amigos. A esperança surge naturalmente nessa época. Mesmo diante de um cenário tão triste e assustador. E foi sobre esse tema que o Papa Francisco falou na última Audiência Geral de 2016. Por isso, escolhi um trecho das palavras dele, para construir esta mensagem para os seguidores e visitantes deste blog.

"A esperança abre novos horizontes, permite sonhar até mesmo o inimaginável; faz entrar na escuridão de um futuro incerto para caminhar na luz. Mas é um caminho difícil! A fé não é apenas silêncio que tudo aceita sem replicar; a esperança não dá uma certeza tal que te preserve de dúvidas e perplexidades. A fé é também lutar com Deus, mostrar-Lhe a nossa amargura sem piedosos fingimentos. E a esperança é também não ter medo de olhar a realidade como está e aceitar as suas contradições. Nos vossos corações, famílias e comunidades, resplandeça a luz do Salvador, que nos revela o rosto terno e misericordioso do Pai do Céu. Ele vos abençoe com um Ano Novo sereno e feliz!" (Papa Francisco, em 28 de dezembro de 2016, na última Audiência Geral deste ano)

Feliz 2017! Com fé, esperança e lutando o bom combate! Especialmente para nós que trabalhamos pela prevenção de acidentes e, por isso, a favor da Vida, em toda a sua plenitude.

Acrescentei uma música, que fala de sonhos, esperança e futuro. Espero que você goste.



segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Um fórum dedicado aos acidentes de trabalho

No meio de tanta informação misturada e desorganizada nesta grande teia digital, é muito importante conhecermos fontes confiáveis para nossas pesquisas. Entre essas fontes, apresento aqui uma delas que é excelente e merece ser conhecida pelos profissionais que atuam na área de segurança do trabalho. Trata-se do Fórum Acidentes do Trabalho.
O Fórum é um espaço de temas relacionados à análise e prevenção de acidentes do trabalho. Sua finalidade é apoiar atividades de grupo de pesquisa e de serviços da área de saúde do Trabalhador, com ênfase na segurança no trabalho, com discussões presenciais e virtuais e disponibilização de materiais de apoio, como casos e textos.
O projeto foi criado por iniciativa conjunta de docentes das áreas de Saúde do Trabalhador do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Botucatu, UNESP e, à época, da Engenharia de Produção da UNIMEP Piracicaba, no primeiro semestre de 2008. Atualmente continua como projeto interinstitucional, sob a responsabilidade conjunta do Prof Associado Dr Rodolfo Andrade Gouveia Vilela, da Faculdade de Saúde Pública da USP e do Prof Dr Ildeberto Muniz de Almeida, da FMB-UNESP.
Passados quatro anos o Fórum de Acidentes do Trabalho parece consolidar-se como espaço de reflexão e de estímulo à formação de movimento social pela prevenção, de denúncia das práticas de atribuição de culpa às vítimas de acidentes e de apoio à constituição das práticas de vigilância em Saúde do Trabalhador em nosso estado e no país. Para isso, mantém agenda continuada de Encontros Presenciais, Canal Youtube, cursos de análise e prevenção de acidentes, Fóruns virtuais e interlocução permanente com atores sociais com interesses nesse campo.
Não deixe conhecer, aprender, participar e utilizar! O fórum está acessível no seguinte endereço digital: http://www.forumat.net.br/

Sobre o tema da análise de acidentes, leia também neste blog o artigo: Acidentes de Trabalho e suas causas.

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domingo, 23 de outubro de 2016

Fundacentro completa 50 anos

A Fundacentro completou, no dia 21 de outubro, 50 anos de existência.

Suas pesquisas e inúmeras contribuições para a redução e prevenção de doenças e acidentes nos diversos segmentos do trabalho, colocam a Fundacentro como instituição pioneira na área.

Reconhecida por organizações internacionais, a Fundacentro é Centro Colaborador da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Organização Mundial de Saúde (OMS) e parceira da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Para quem é atuante na área, a Fundacentro é uma referência obrigatória para pesquisas e consultas. Vinculada ao Ministério do Trabalho, é uma instituição de pesquisa e desenvolvimento, integrada por professores e pesquisadores, comprometidos com a difusão do conhecimento, a promoção da saúde e a prevenção de acidentes.

Em sua estrutura de funcionamento, há um Centro Técnico Nacional na cidade de São Paulo e Centros Regionais em várias cidades do país.

Entre as comemorações de aniversário está o lançamento do Livro Comemorativo dos 50 anos que, em um primeiro momento, estará disponível na versão digital.

Registro aqui a minha homenagem a esta instituição que formou e ajudou a formar inúmeros profissionais, através de seus livros, cartilhas, vídeos, cursos, seminários, palestras, bem como permitindo acesso público a um rico acervo de livros e revistas em suas bibliotecas. Ao longo dos últimos vinte anos, eu também tive a oportunidade de aprender com alguns desses recursos listados, além de ter a oportunidade de ter contato profissional e receber ensinamentos de profissionais de altíssimo nível técnico que lá estão ou que por lá passaram, entre eles Antônio Vladimir Vieira, José Possebon, Robson Spinelli, Moira Andrade, Valéria Pinto, Maria Amélia Reis e Flavio Maldonado Bentes.

Parabéns para a Fundacentro e aos seus integrantes!


Para saber mais sobre a Fundacentro, visite o portal da instituição, no seguinte endereço: www.fundacentro.gov.br

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Eu sou + 1 por um trânsito + seguro


Eu sou + 1 por um trânsito + seguro

Este é o tema deste ano para a Semana Nacional de Trânsito. O tema é a evolução das ações de campanha de educação de trânsito, e acompanha as ações da “Década Mundial de Ações Para a Segurança do Trânsito – 2011/2020”. A principal finalidade é conscientizar as pessoas de sua responsabilidade no trânsito, valorizando ações do cotidiano e visando a participação de todos para o alcance da segurança e prevenção de acidentes.

Todos os dias, cerca de cem pessoas perdem a vida nas rodovias do país. Este dado, extraído dos registros do seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), revela uma realidade violenta, que deve ser conhecida e modificada.

Em 2015, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas, o Brasil apresentou uma taxa de 23,4 mortes para cada 100 mil habitantes. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, responsável pela fiscalização nas estradas em todo o país, em 2015 foram registrados 122.186 acidentes, com 90.278 feridos e 6.870 mortes. De janeiro a junho de 2016, foram registrados 3.166 óbitos.


Estima-se que, a cada ano, em todo o mundo, mais de um milhão de pessoas morrem em acidentes de trânsito e até 50 milhões sobrevivem com lesões e sequelas, resultando em custos pessoais, sociais e econômicos.



São muitos números e estatísticas, mas a verdade é que a maioria de nós pensa que certas coisas só acontecem com os outros, até que chega a nossa vez...


Aproveite para divulgar informações sobre segurança no trânsito para seus amigos e sua família. Incentive a direção defensiva, a condução responsável e o comportamento seguro dos pedestres.

Na estrada ou na cidade, seja você a mudança no trânsito. E, se você dirige, eu imploro: não seja um Pateta no Trânsito! Não entendeu? Veja o filme abaixo.



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Referências e outras fontes de consulta:
Blog Transporte Ativo - http://blog.ta.org.br/
Observatório Nacional de Segurança Viária - http://www.onsv.org.br/
Segurança no Trânsito - http://www.segtransito.com.br/
Organização Pan-Americana de Saúde - http://www.paho.org/bra/

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Instalações elétricas em piscinas

Instalações elétricas em piscinas - aspectos de segurança

Não são poucos, infelizmente, os acidentes relacionados às instalações elétricas em piscinas. Embora a normalização técnica seja específica e clara quanto às prescrições para esse tipo de ambiente, a desobediência é flagrante. Basta conhecer o relato de alguns desses acidentes para constatar que essas prescrições ou são desconhecidas ou propositadamente desrespeitadas. E não se tratam apenas das instalações residenciais, mas de locais de afluência de público como é o caso de clubes, hotéis e parques. A norma técnica da ABNT, NBR 5410, que trata das instalações elétricas em baixa tensão, contém todos os requisitos para instalações seguras nesses ambientes.

Um artigo publicado originalmente na Revista Lumière apresenta alguns casos reais para nos servir de alerta sobre a importância desse tema. Se este assunto lhe interessa, não deixe de ler o artigo, que está disponível no portal de Artigos Técnicos. Siga o link: