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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Controlando Energias Perigosas

Uma das áreas críticas para a gestão de segurança industrial, é o controle de energias perigosas. Seja em forma de energia elétrica ou mecânica, fluidos pressurizados ou em alta temperatura, enfim, um amplo espectro de variáveis estão envolvidas.

Ciente da importância desse assunto, estou reproduzindo, após autorização, o artigo do engenheiro João Márcio Tosmann. Ele é engenheiro eletricista e diretor da Tagout. Seus dados completos estão no final do artigo.

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5 dicas para reduzir os riscos de acidentes durante a manutenção de máquinas industriais

Autor: Eng° Eletricista - João Márcio Tosmann*

A manutenção de máquinas e equipamentos industriais faz parte da rotina de qualquer indústria, e deve ser levada a sério para garantir a saúde e a integridade física dos trabalhadores. Para isso, a NR-12 do Ministério do Trabalho e Emprego, estabelece requisitos mínimos para a prevenção de acidentes nestas situações.

Sejam preventivos ou corretivos a manutenção, inspeção, reparo, limpeza, ajuste e outras intervenções que se fizerem necessárias em equipamentos, todos eles devem ser executados por profissionais capacitados e com a adoção correta de procedimentos de segurança.

Entre as medidas de proteção previstas pela NR-12 estão: medidas de proteção coletiva ou EPCs (cones e faixas de segurança, placas de sinalização, sensores de presença, sirenes e alertas luminosos), administrativas ou de organização do trabalho, e de proteção individual ou EPIs (como luvas, protetores auriculares, capacetes, botas, entre outros).

É importante destacar que a atividade de manutenção e teste de máquinas e equipamentos expõe os técnicos responsáveis a riscos que não estão presentes, na maioria das vezes, na rotina de funcionamento da máquina. Assim, para evitar perigos como choque elétrico, incêndio, explosão e riscos mecânicos (como agarramento, corte, esmagamento, por exemplo), é preciso haver um cuidado redobrado!

Quais os procedimentos necessários para reduzir os riscos de acidentes durante a tarefa de manutenção?


1. Desligamento e descarga da energia residual

A manutenção, inspeção, reparo, limpeza, ajuste e outras intervenções devem ser executadas por profissionais capacitados, qualificados e legalmente habilitados mediante desligamento e descarga de energias residuais de todas as fontes possíveis, como tubulações de ar comprimido, vapor, água e outros, bem como máquinas e equipamentos.


2. Bloqueio mecânico e elétrico dos dispositivos de energia

É fundamental manter o bloqueio mecânico e elétrico na posição “desligado” ou “fechado” de todos os dispositivos de corte de fontes de energia, a fim de impedir a reenergização durante o processo de manutenção. O procedimento de bloqueio tem como objetivo prevenir acidentes de trabalho durante os serviços de manutenção onde existem fontes de energias perigosas.



Para isso, o operador de manutenção precisa ter o controle da energização do equipamento, a fim de impedir o acionamento acidental da máquina por terceiros. Todos os disjuntores e seccionadoras que alimentam o equipamento devem ser bloqueados com cadeados e dispositivos de bloqueios específicos. Somente eletricistas capacitados, habilitados e autorizados devem ter acesso a eles.

Cadeados de bloqueio

Os cadeados de bloqueio com corpo plástico são especiais para manutenções industriais, garantindo ao técnico maior segurança. Além do corpo plástico não condutor, os cadeados de bloqueio possuem cilindro com 6 pinos de segurança, garantindo ao técnico que somente a sua chave é capaz de abrir seu cadeado.


3. Bloqueio mecânico do interruptor principal de acionamento da máquina

Outra opção para o bloqueio mecânico e elétrico é travar o interruptor principal de acionamento da máquina com a garra de bloqueio. As garras multiplicadoras de bloqueio asseguram que a máquina ou equipamento em manutenção permaneça bloqueado até que todos os envolvidos na manutenção ou inspeção tenham sido concluídos.

Guarra multiplicadora de bloqueio

Para isso, cada funcionário envolvido na operação coloca seu cadeado de bloqueio e sua etiqueta de identificação em um dos 6 orifícios da garra, e o equipamento só é liberado após todos os envolvidos concluírem o serviço e retirarem seus cadeados e etiquetas, aumentando a segurança e eficácia do processo de bloqueio.


4. Sinalização de bloqueios mecânicos e elétricos

Os bloqueios dos equipamentos em manutenção devem estar sinalizados com cartão ou etiqueta de bloqueio contendo o horário e a data do bloqueio, o motivo da manutenção e o nome do responsável ou então etiqueta com foto, nome, departamento e ramal do responsável pelo bloqueio.


5. Isolamento e sinalização do local de manutenção

Compreende a utilização de cores, símbolos, inscrições, sinais luminosos ou sonoros, entre outras formas de comunicação de mesma eficácia. Esta sinalização deve ser adotada durante todo o período de manutenção das máquinas e equipamentos. Devem ser adotados, sempre que necessário, sinais ativos de aviso ou de alerta, que indiquem a iminência de um acontecimento perigoso decorrente do procedimento de manutenção.

Esta sinalização de segurança serve para advertir os trabalhadores e terceiros sobre os riscos a que estão expostos, além das instruções de manutenção e outras informações necessárias para garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores.


Um conjunto de medidas preventivas é o melhor caminho para proteger a equipe de acidentes a que todos estão sujeitos diariamente. Por isso, além das medidas listadas acima, e do uso correto dos EPCs e EPIs, é sempre importante que a equipe de manutenção esteja em dia com os treinamentos e capacitações para a realização das suas atividades.


*Sobre o autor: João Márcio Tosmann é formado em Engenharia Elétrica, com ênfase em Eletrônica, pela PUC-RS, com pós-graduação em Administração Industrial pela USP e MBA em Marketing pela ESPM. Possui experiência em projetos de manutenção industrial e logística em autopeças. Atuou como membro da diretoria do Complexo Industrial Automotivo General Motors (CIAG) e líder de projetos de novos veículos como Celta (General Motors) e EcoSport (Ford). Atualmente é diretor da Tagout, indústria de produtos de Bloqueio e Etiquetagem que oferece consultoria, treinamento e elaboração de procedimentos para implantação do Programa de Controle de Energias Perigosas (PCEP). No portal da empresa Tagout você pode conhecer os serviços e equipamentos relacionados a este artigo: 
https://www.tagout.com.br/

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domingo, 22 de maio de 2016

Perigo e Risco

Alguns conceitos, embora possam ser considerados básicos, ainda geram dúvidas e interpretações diferentes entre os profissionais. Entre esses casos estão os conceitos de perigo e risco e, por conseguinte, da análise de riscos. Esses conceitos podem parecer confusos ou contraditórios pelo fato de essas palavras serem utilizadas, regularmente, na linguagem coloquial, ou seja, fora de um contexto técnico ou acadêmico. Porém, dentro de um sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho eles precisam de um entendimento padronizado. Essa foi a motivação de um artigo que procura esclarecer esses conceitos e suas relações. Se você tem interesse neste assunto, leia o artigo no seguinte endereço:

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Rede elétrica aérea é um perigo: afaste-se !

A notícia divulgada hoje (02/07/2010) sobre a morte de um menino de oito anos, que subiu em uma árvore para tentar pegar uma pipa (papagaio), causa muita tristeza. As redes elétricas aéreas estão instaladas em todos os lugares e são extremamente perigosas para a população. Embora as empresas concessionárias de distribuição de energia elétrica façam campanhas permanentes, o perigo permanece. 

As redes aéreas funcionam em alta tensão ( em torno de 13 mil volts) e os cabos elétricos não são cobertos por material isolante. Dessa forma, a única proteção é a distância. Entretanto, muitos trabalhos com andaimes, escadas, guindastes permitem a aproximação da rede elétrica, podendo causar acidentes graves e fatais. Veja essa foto, logo abaixo, que ilustra bem esse tipo de situação.

Além das situações de trabalho, atividades em casa (no telhado, instalando antenas, podando árvores) e de lazer podem gerar uma aproximação excessiva da rede elétrica. Esse foi o caso desse menino de oito anos, que subiu na árvore mas tocou nos cabos que ligavam a rede a um transformador. Ainda vai demorar muito para as empresas eliminarem as redes aéreas das áreas urbanas. Essa é a única solução para eliminar o perigo que essas redes representam quando estão localizadas na via pública das cidades. Porém, isso custa caro e requer uma legislação que obrigue e estabeleça prazos para essa adequação, construindo galerias subterrâneas. Para que você tenha uma ideia, os dados divulgados pelo setor elétrico brasileiro, indicam mais de trezentas mortes, por ano, de pessoas que entram em contato com essas redes aéreas, inclusive nesse tipo de acidente com pipas (também chamadas de papagaios ou pandorgas, de acordo com a região do Brasil).
Portanto, fiquem atentos, olhem para cima e afastem-se das redes aéreas.

Se há algum trabalho a fazer perto delas, entre em contato com a companhia de eletricidade local, para providenciarem o desligamento temporário ou a instalação de obstáculos. Em situações onde há construções muito próximas, pode ser necessário instalar uma cobertura permanente em determinado trecho do cabo elétrico. Acione e comprometa a companhia de eletricidade local. Quem gera o risco é responsável pelas medidas de proteção, não só dos trabalhadores mas da população como um todo.

Atualização em 7 de julho de 2019, com o objetivo de incluir o vídeo da CEMIG. Ou seja, 9 anos depois da publicação do texto acima.

Em junho de 2019, compondo uma das campanhas de prevenção de acidentes com a rede aérea, a CEMIG produziu um vídeo institucional voltado ao público da construção civil. O objetivo do vídeo é alertar os trabalhadores para não se aproximarem da rede aérea, afinal, ela permanece sem cobertura isolante em sua maior parte e continua sendo um perigo de morte!


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